As últimas novidades do streaming no esporte

As últimas novidades do streaming no esporte

O mercado do streaming passa por transformações muito rápidas. O que você leu nos últimos meses possivelmente está defasado. Esse texto vai destacar as últimas mudanças da indústria, além de tratar um pouco sobre as perspectivas para o futuro do streaming.

Diversas pesquisas sobre o tema foram produzidas durante este tempo. Com o mercado em crescimento, tornou-se fundamental possuir mais informações sobre o assunto, para que os produtos atinjam os principais objetivos.

Em pesquisa divulgada em maio pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), foram quase 7% a menos de assinantes de TV a cabo no Brasil nos últimos doze meses. O número total está em 16,82 milhões de domicílios. Na comparação com abril, o mês anterior, a queda foi de 1,44%. Quem mais está perdendo com esta mudança do setor de broadcast são as operadoras. A Oi foi a única que mostrou crescimento no número de assinantes, com mais 60,2 mil domicílios, quase 4%. SKY, Vivo e Claro apresentaram quedas entre 4,5% e 7%.

Apesar de todos estes números indicando crescimento no número de assinantes, a televisão ainda está na frente do streaming quando o tema são as receitas, segundo números de 2018. As receitas de TV alcançaram um total de US$ 118 bilhões, US$ 6.2 bilhões a mais que em 2017, enquanto as plataformas digitais arrecadaram US$ 40 bilhões.

As grandes empresas, que ainda estavam entendendo melhor o mercado, agora possuem objetivos mais claros. A próxima grande mudança na indústria é a entrada da Disney. Sua importância está na produção de conteúdo totalmente original. Os filmes e séries já consagrados produzidos pelo estúdio estarão todos no Disney+, enquanto plataformas como Netflix e Amazon Prime ainda precisarão selecionar seu conteúdo em outros estúdios ou criar suas produções originais. O esporte pode ser uma excelente solução para este problema, atraindo fãs de diversas modalidades. A Netflix já iniciou este processo, com algumas produções originais relacionadas a esporte como Sunderland ’Til I Die e Formula 1, Drive to Survive. A Amazon também está nesta direção no mercado, com o documentário All or Nothing, sobre o Manchester City abrindo os caminhos. Na última semana foi lançada série This is Football, que explora as emoções mais fortes sentidas graças ao esporte. Para 2020, a primeira produção brasileira estará na plataforma, trazendo os bastidores da conquista da Copa América de 2019.

Em abril deste ano, em evento para investidores, a Disney admitiu que deve vender seus serviços de streaming todos juntos em um pacote: Disney+, Hulu e ESPN+. Pode ser a primeira experiência de streaming mais próximo da televisão a cabo, pois envolve duas plataformas de filmes e séries e uma de esportes.

Um ponto que havia sido abordado no texto inicial foi a integração das mídias digitais com os veículos tradicionais. Isso se tornou uma estratégia ainda mais forte com o passar do tempo. O exemplo atual que mostra isso com mais força é feito pela Rede Globo. As transmissões de futebol continuam ocorrendo nos canais Sportv e Globo, televisão aberta e fechada. O pós-jogo, antes feito em meio aos programas do canal fechado, agora está no GloboEsporte.com, mídia digital. Isso leva o torcedor para um novo veículo, ao mesmo tempo que continua acompanhando a programação tradicional. Essa é uma grande oportunidade também para os clubes, que podem realizar essa cobertura feita pela televisão em seus próprios canais, com uma linguagem voltada diretamente para seu torcedor.

Entrando no mercado de esportes americanos, o principal destaque é a Amazon. Desde 2017 sua plataforma é responsável pela transmissão das partidas de quinta-feira à noite, o Thursday Night Football. A audiência da plataforma no ano passado segue a tendência de crescimento geral do mercado. Foram 24.4 milhões de pessoas assistindo as partidas, 33% a mais do que no primeiro ano do acordo.

Ainda sobre a Amazon, a empresa irá em busca de mais um pacote de jogos da Liga Nacional de Futebol Americano, pois considera a NFL como uma de suas principais armas para crescer. É o Sunday Night Ticket, formado pelos jogos de domingo a tarde. A disputa será com a Disney, através do ESPN+, e a DirecTV, atual detentora dos direitos. A Liga vê com bons olhos a troca dos donos dos direitos, ainda mais passando para plataformas como Amazon Prime e ESPN+. A grande vantagem destes novos canais seria a negociação de novos acordos de publicidade a serem fechados, que poderiam gerar os maiores montantes financeiros para os envolvidos.

Na Europa a principal novidade envolve também a Amazon. A empresa adquiriu um dos últimos pacotes de transmissão da Premier League para a temporada 2019/20. Este envolve apenas duas rodadas: uma no início de dezembro e a famosa rodada do Boxing Day, que ocorre nos dias 26 e 27 de dezembro. Esta será uma oportunidade interessante para a Amazon, que poderá aproveitar a ocasião para trabalhar suas vendas de natal.

A América do Sul talvez tenha passado pelas maiores mudanças no cenário de transmissões. A partir de 2019, os jogos de quinta-feira da Libertadores passaram a ser transmitidos via Facebook. Em um primeiro momento as transmissões eram exclusivas pela plataforma para todos os países. No entanto, a Fox Sports reverteu a situação e a exclusividade acontece apenas no Brasil.

A qualidade das transmissões não foi das melhores. Como alertado anteriormente, o Brasil ainda não estaria totalmente preparado, devido aos problemas enfrentados com conexão de internet pelo país. Já os números de audiência foram evoluindo ao longo do torneio. Na estreia dos brasileiros, a partida entre Huracán x Cruzeiro na Argentina, foram 320 mil pessoas assistindo. Já no jogo Grêmio x Libertad, do dia 25 de julho, o pico chegou em 763 mil pessoas. O recorde foi do Flamengo no confronto contra o San José da Bolívia, com um milhão de usuários simultâneos.

A grande mudança no mercado de streaming no Brasil foi a chegada do DAZN. Inicialmente foram alguns meses de teste em seu canal no YouTube e no Facebook, com os campeonatos italiano e francês como principais produtos. Na sequência, ainda antes de inaugurar a plataforma própria, foram adquiridos os direitos da Copa Sul-Americana e da Série C. Apenas no mês de maio foi inaugurado o site do DAZN, com o valor mensal de R$ 37,90 para acompanhar todos os eventos do canal. Alguns jogos ainda são transmitidos via YouTube de forma gratuita. Além dos eventos já citados, o canal conta com diversos outros, como a Recopa Sul-Americana, MLS, FA Cup e J-League. Além do futebol, competições de boxe, surf e atletismo também estão no DAZN. Na última semana a plataforma ainda fechou acordo com a ESPN Brasil e terá dois jogos exclusivos da Premier League por rodada.

Um outro passo da plataforma está no lançamento de conteúdos on demand. Para a Sul-Americana, no confronto brasileiro entre Atlético-MG e Botafogo foi feita uma série de três capítulos. “Versus: Atlético x Botafogo” conta os principais aspectos relacionados a um jogo decisivo, como o caso. Outra produção se trata de “The Making Of”, série global inserida como DAZN Originals. Esta traz depoimentos de José Mourinho, Cristiano Ronaldo e Neymar, sobre jogos e momentos decisivos de sua carreira. A DAZN conta hoje com uma parceria com a Band, repassando ao canal aberto algumas transmissões, alcançando assim um público diferente daquele que está presente nas mídias digitais.

Uma tendência que se confirma cada vez mais é a utilização de plataformas de streaming para transmissão de partidas de categoria de base. A Copa São Paulo de Futebol Júnior vem sendo toda transmitida via MyCujoo, plataforma gratuita. Essa fechou acordo com a CBF em 2019 para transmissão de oito competições. De categoria de base estão o Brasileiro de Aspirantes, o Brasileiro sub-17, a Copa do Brasil sub-20 e sub-17. O futebol feminino é outra atração do MyCujoo, com as duas primeiras divisões transmitidas, além do Brasileiro sub-18. O Campeonato Brasileiro série D é a última das competições da plataforma.

Os números sobre o futuro do streaming mostram que o crescimento relatado no texto está só começando. Segundo estudo Global Entertainment and Media Outlook, divulgado pela PwC para os anos de 2019–2023, o mercado irá dobrar de tamanho até o final do período estudado, alcançando 35,4% do total da indústria de broadcast. A qualidade da internet entregue aos consumidores deve aumentar, possibilitando um acompanhamento mais tranquilo. Com isso, a publicidade presente nestes serviços também deve ser feita de melhor forma, uma vez que hoje ainda existem diversas dúvidas na maneira de atrair um espectador para seu produto.

Em relação às novidades, instituições de esporte iniciam a construção de suas próprias plataformas de streaming, o que deve ajudar a impulsionar as receitas da área. Clubes como Real Madrid e Manchester City estão focando nesta área, pois atinge não só os fãs locais, como aqueles espalhados ao redor do mundo. Além desses, a UEFA também chega à indústria, utilizando o conteúdo histórico das competições para atrair consumidores. É a partir de suas plataformas próprias que estes conseguirão direcionar o conteúdo de acordo com as preferências de seus torcedores.

Texto originalmente publicado em Cadeira Central.