A relevância da fisioterapia nos esportes de alto rendimento

A relevância da fisioterapia nos esportes de alto rendimento
Por Anderson Dorneles, Especialista em Fisioterapia Esportiva – Sonafe

Atualmente e? noto?rio que os clubes brasileiros entendem cada vez mais a necessidade e importa?ncia do investimento em estruturas modernas e em profissionais qualificados para compor seus “staffs” nas a?reas de desempenho e sau?de. Alguns gestores esportivos ja? conseguem visualizar de forma ni?tida os resultados pra?ticos dessa combinac?a?o, desde a melhora do desempenho dos atletas em campo, ate? uma grande economia financeira por conta de uma profissionalização na condic?a?o de preparac?a?o e cuidado dos seus elencos.

Sabemos bem que o futebol profissional evoluiu muito nas u?ltimas de?cadas, principalmente no que diz respeito a exige?ncia fi?sica imposta aos jogadores. Estudos apontam que a intensidade de treinamentos e jogos e? bem maior nos dias de hoje e que a dina?mica de jogo tambe?m mudou, tornando-se mais ra?pida, com muitas mudanc?as de direc?a?o e alterna?ncias de velocidade dos atletas. Aliado a isso, temos o “fator calenda?rio”, influenciando diretamente de modo que alguns clubes brasileiros chegam a disputar mais de 70 jogos por temporada. E para suportar tudo isso, o corpo do futebolista precisa estar muito bem preparado para na?o sofrer com as temidas leso?es.

Um estudo cienti?fico de 2013, encomendado pela UEFA, aponta que um atleta afastado por lesa?o durante um me?s significou um custo me?dio de 580 mil euros para os clubes. Em outra pesquisa realizada e divulgada para a Premier League em 2015, foi contabilizado o nu?mero de jogadores lesionados, o nu?mero de dias/semanas/meses que estes jogadores ficaram afastados por conta das leso?es, derrotas causadas pela ause?ncia destes jogadores, sala?rios, custos de tratamentos e diminuic?a?o de arrecadac?a?o financeira associada a todos estes fatores, mostrando assim que os clubes ingleses gastaram cerca de 410 mil libras por jogador lesionado no ano. Na u?ltima temporada, dados da Premier League junto a uma consultoria de seguros mostraram que os jogadores ficaram em me?dia 28 dias afastados por conta de leso?es, causando um prejuízo de aproximadamente 660 milho?es de reais aos clubes.

Apesar de ainda na?o existirem estudos oficiais que apontem este tipo de estati?stica em relac?a?o ao futebol brasileiro, os dados extraoficiais do Campeonato Brasileiro da se?rie A de 2016 (nu?meros na?o confirmados pelos clubes e na?o pertencentes a um estudo cienti?fico) apontam a ocorre?ncia de mais de 800 leso?es em atletas, o que resultaria uma me?dia de 40 episo?dios por clube se fossem divididos de forma equitativa. Para conhecer um valor aproximado dos custos decorrentes destas leso?es no futebol brasileiro, bastaria o gestor de cada clube fazer o mesmo ca?lculo da Premier League (sala?rios, tempo de afastamento, custos de tratamentos, etc.). Com certeza, na?o e? pouco dinheiro.

Parafraseando Fa?bio Mahseredjian, preparador fi?sico de refere?ncia mundial e multicampea?o por onde passou: ?o futebol na?o e? uma cie?ncia, mas a cie?ncia pode melhorar o ni?vel do futebol’. E a Fisioterapia, no caso especi?fico, a Fisioterapia Esportiva e? a cie?ncia responsa?vel por estudar, avaliar, diagnosticar, prevenir e tratar os distu?rbios do movimento dos atletas, sejam eles causados por alterac?a?o gene?tica, traumas ou leso?es. Ale?m disso, vale ressaltar que a Fisioterapia Esportiva e? uma Especialidade profissional reconhecida, representada e chancelada pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (SONAFE), ou seja, assim como existe o me?dico do esporte, o advogado do esporte, o pro?prio gestor do esporte, tambe?m existe o Fisioterapeuta Esportivo. Esse profissional e? o mais indicado para trabalhar com o alto rendimento e desenvolver um trabalho multidisciplinar imprescindi?vel junto aos demais profissionais da comissa?o te?cnica (te?cnicos, preparadores fi?sicos, fisiologistas, me?dicos, nutricionistas, psico?logos, etc).

Nesse sentido, e? importante salientar que a fisioterapia esportiva pode contribuir muito na diminuic?a?o dos prejui?zos financeiros dos clubes, causados pela incide?ncia de leso?es nos seus atletas. O grande segredo da fisioterapia esportiva esta? em sua forma atual de ac?a?o, onde deixou de seguir um modelo apenas curativo e dependente. Como ja? mencionado, hoje o trabalho e? multi e interdisciplinar e deve partir de uma avaliac?a?o detalhada da capacidade funcional e de movimento de cada jogador, particularmente, respeitando o princi?pio da individualidade e especificidade. Atrave?s desta avaliação global e? possi?vel identificar, entre outras coisas, de?ficits motores, compensac?o?es posturais e desequili?brios musculares, por exemplo. A partir dai?, e? possi?vel trac?ar estrate?gias de prevenc?a?o para diminuir os riscos de leso?es causados por esses fatores, bem como planos para que o atleta tenha uma melhor condic?a?o fi?sica para suportar as demandas de treinos e jogos.

Da mesma forma e? realizado um trabalho cada vez mais importante conhecido como “recovery” ou recuperac?a?o, processo onde o fisioterapeuta do esporte utiliza todos os recursos de sua compete?ncia para diminuir os efeitos do desgaste fisiolo?gico que o atleta sofre, colocando-o assim apto mais rapidamente a? atividade. Assim, na rotina de jogos a cada 2 ou 3 dias, como em grande parte da temporada no Brasil, esse trabalho passa a ser indispensa?vel. Por fim, o tradicional e na?o menos importante trabalho de reabilitac?a?o de leso?es mais graves, indispensável para que o jogador retorne de forma ra?pida e segura ao campo, no mesmo ni?vel fi?sico e te?cnico ou as vezes ate? melhor do que antes da lesa?o. O certo e? que o investimento em estrutura, tecnologia, aparelhos de avaliac?a?o e tratamento, somados a profissionais devidamente capacitados, que possuem o conhecimento cienti?fico atualizado e experie?ncia cli?nica, tambe?m agrega o diferencial que garante e tranquiliza o atleta na hora de assinar um contrato, pois ele sabera? que tera? uma excelente condic?a?o de trabalho e sera? bem assistido durante sua atividade.

Portanto, e? indiscuti?vel que de nada adianta ter os melhores atletas em sua equipe se na?o houver quem possa cuida?-los da maneira mais adequada, pois melhor que o atleta seja, seu desempenho em relac?a?o a qualidade e sua participac?a?o constante na equipe esta? diretamente relacionado aos profissionais que atuam nos bastidores, bem como a estrutura que esses profissionais dispo?em. A realidade e? que o futebol precisa cada vez mais de especialistas, e a Fisioterapia Esportiva oferece esse profissional.

PALESTRA: Coletiva no Departamento Médico

O Coletiva no DM é uma palestra sobre a rotina de trabalho do departamento de saúde no futebol profissional. Uma visão ampla sobre a importância dos profissionais da saúde para a performance e saúde financeira dos clubes. Esclarecimento de dúvidas e curiosidades comuns sobre lesões no esporte, nomenclaturas, velhas máximas sobre os processos que envolvem o atleta desde o momento da lesão até seu retorno à prática esportiva. Desmistificar o dia a dia do trabalho multidisciplinar e a interação profissional/atleta.

O Palestrante é o Fisioterapeuta, Anderson Dornelles, Especialista em Fisioterapia Esportiva, Pós Graduado em Ciências do Esporte e Saúde, Formação em Gestão Profissional do Esporte, Docente em cursos de Formação e Pós Graduação em Fisioterapia, Fisioterapeuta do Clube Atlético Paranaense (2015/2016) e Fisioterapeuta do Clube Atlético Tubarão (2017/2018).

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